Dicas Gerais - Alimentação - Por que?

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Por que nos alimentamos?

Uma nutrição (alimentação) adequada e apropriada para cada fase da vida é indispensável a todos os seres vivos, para a manutenção da saúde, diminuição de riscos de doenças e também para a restauração da saúde (quando ficamos doentes), através da recuperação, reconstrução, desintoxicação e reparo de células, órgãos e tecidos ao longo de nossas vidas. Nosso sistema imunológico (que nos defende de infecções) e demais funções vitais dependem dos micronutrientes extraídos dos alimentos que ingerimos. Vamos, portanto, falar um pouco sobre esses diversos micronutrientes, fornecendo uma visão geral de sua importância e dos alimentos onde são encontrados.

O que são micronutrientes? São substâncias que nosso corpo extrai dos alimentos, através do processo de digestão. Esses micronutrientes são absorvidos através das paredes do intestino delgado para dentro das artérias (vasos sangüíneos). Através da circulação do sangue, os micronutrientes são distribuídos às células dos diversos órgãos e tecidos que compõem o nosso corpo, de forma a mantê-los saudáveis, gerando energia e oferecendo matéria prima para a reconstrução e a renovação celular e para a proteção das células contra a intoxicação produzida pelo cansaço, doenças, ferimentos e toxinas (substâncias tóxicas ou venenosas) de diversas origens (poluição ambiental, inflamatória, infecciosa, certos medicamentos, etc.). Os micronutrientes estão classificados conforme descreveremos a seguir:

Aminoácidos: são a matéria prima das diversas proteínas que compõem os músculos, pele, órgãos, tendões, cabelo, unha. Alguns dos 22 aminoácidos são produzidos pelo nosso corpo, a partir de outros elementos mais simples. Porém, existem 8 aminoácidos essenciais que nosso corpo precisa extrair já prontos dos alimentos porque não consegue produzi-los a partir de nutrientes mais simples.

Mesmo a carência de um único aminoácido pode impedir que o corpo produza uma ou mais proteínas de que necessita, originando doenças.

Os alimentos que ingerimos não possuem todos as mesmas quantidades de aminoácidos ou todos os 8 essenciais. Portanto, nossa alimentação deve ser variada, incluindo diversos tipos de alimentos durante o dia.

As proteínas (que são a fonte de aminoácidos em nossa alimentação) estão presentes em maior concentração nas carnes (peixe, frutos do mar, carne bovina, frango), nos ovos, castanhas, nozes, amêndoas, germe de trigo, levedo de cerveja. Também são encontradas nas frutas e outros vegetais - sendo que o feijão de soja e seus derivados (leite de soja, farinha de soja, missô, tofu) e as leguminosas (outros feijões, tais como: feijão preto, branco, vermelho, fradinho, azuki, jalo, lentilha, fava, ervilhas, etc.) são boas fontes de diversos aminoácidos.

Ácidos graxos: os ácidos graxos são os componentes das gorduras (lipídios) que, junto com as proteínas, sais minerais e açúcares, formam as estruturas de nossas células. Os ácidos graxos são usados pelo corpo para a construção de diversas substâncias que participam de muitas funções vitais, desde o fornecimento de energia até a produção de hormônios. As fontes mais saudáveis de lipídios são os grãos de cereais (soja, gergelim, milho, aveia, trigo integral, centeio, cevada, etc.), as nozes, castanhas e azeitonas. Também estão presentes em laticínios (queijos, leite, coalhada, iogurte, manteiga), carnes (mesmo as carnes magras) e margarinas feitas de óleo extraído de cereais.

Açúcares (glicídios) e amidos: A vida é fundamentalmente doce. Os açúcares ou glicídios (frutose, lactose, dextrose, maltose) e amidos (farinha de trigo, maizena, arroz, etc.) dos alimentos são transformados pelo nosso corpo em glicose, que é o açúcar utilizado como combustível por nossas células e sua principal fonte de energia. A glicose participa da estrutura de muitas proteínas (conhecidas como glicoproteínas) e também da estrutura de nosso DNA, que é a molécula que contém todo o código genético que nossos pais nos transmitiram e que regula todas as atividades de nosso corpo.

Nosso corpo faz reservas de açúcares em músculos - para que possamos ter energia para nos movimentar, para que o coração possa bombear o sangue, para que os pulmões possam expandir-se e contrair-se, levando oxigênio ao sangue. As glândulas, tecidos e órgãos, ou seja, todas as células do corpo, extraem a energia de que precisam dos açúcares ou glicídios que ingerimos.

Fontes de Glicose: Os açúcares, geralmente sob a forma de carboidratos, estão presentes nas frutas (este açúcar é chamado "frutose"), no leite e laticínios ("lactose"), nos amidos dos cereais, mandioca, batatas, inhame, e nas farinhas feitas a partir deles ("maltose"), no mel de abelhas e no milho ("dextrose"), na cana de açúcar ("sucrose"), etc

Fibras vegetais: Nas folhas de verduras, nas cascas das frutas e dos grãos de cereais integrais existe um tipo de açúcar, a celulose, que nós humanos não digerimos. Porém, essas fibras de celulose são importantes em nossa alimentação porque formam um "bolo" pastoso no intestino, que estimula os movimentos do tubo intestinal e nos ajuda a combater a prisão de ventre ou o "intestino preguiçoso".

Além, disso, essa massa fibrosa remove resíduos alimentares que aderiram anteriormente às dobras das alças do tubo intestinal, eliminando assim matéria intestinal putrefada (apodrecida) e toxinas ali acumuladas - inclusive algumas toxinas que podem causar câncer de intestino.

Nos cereais integrais (que essa película de celulose não foi retirada), diversas vitaminas importantes permanecem nos grãos. Porém, nos cereais "beneficiados" elas se perdem e somente o amido permanece.

Vitaminas: todos os seres vivos que respiram o oxigênio (chamados "organismos aeróbicos") necessitam de um verdadeiro arsenal de vitaminas para que possam sobreviver ao próprio oxigênio. Precisamos do oxigênio para queimar reservas de açúcares e extrair deles a energia que nos mantém vivos, do mesmo modo que o motor de um carro precisa do oxigênio para queimar o combustível (gasolina, álcool ou diesel) para gerar a energia que movimenta o carro. Por outro lado, o oxigênio é um gás tóxico. Por esta razão, todos os organismos que respiram oxigênio utilizam um verdadeiro arsenal de vitaminas e enzimas (um tipo de proteína) para controlar e neutralizar os efeitos tóxicos do oxigênio sobre as células e órgãos

As diversas vitaminas são também necessárias para o bom funcionamento de todos os órgãos, ajudando na cicatrização e renovação de tecidos (pele, mucosa, ossos, etc.), garantindo o bom funcionamento do sistema imunológico (que nos defende de infecções), protegendo o colesterol e outras gorduras do corpo contra a rancidificação produzida pelo contato com o oxigênio

As melhores fontes de vitaminas são as verduras, legumes e frutas (consumidos crus) e os grãos integrais (em sopas, pães e bolos). As vitaminas também estão presentes no leite integral, laticínios e carnes cruas (sushi, sashimi e quibe cru). Contudo, grande parte delas se perde no processo de pasteurização ou outro tipo de processamento industrial, bem como no cozimento caseiro, porque a maioria delas é sensível ao calor (algumas vitaminas se degradam rapidamente, mesmo à temperatura ambiente, quando esta for superior a 25o C e à exposição à luz (solar ou artificial) e ao oxigênio do ar; por exemplo, a vitamina C.

Enzimas: são pequenas proteínas, muito importantes para que o nosso organismo possa realizar uma enorme quantidade de tarefas vitais. Algumas enzimas participam do processo de digestão dos alimentos e são conhecidas como "enzimas digestivas"; outras, ajudam o nosso corpo a construir proteínas maiores; outras, protegem nossas células contra a intoxicação pelos derivados do oxigênio e de outras toxinas. Existe uma outra família de enzimas que protege nossos genes e diminui a possibilidade de as células degenerarem. Muitas doenças são conseqüência da degeneração de um determinado grupo de células; entre elas, o próprio câncer.

Quando estamos deficientes de enzimas digestivas, não conseguimos reduzir os alimentos a micronutrientes; nossa digestão fica lenta e difícil e... o que é pior, não extraímos dos alimentos os nutrientes que nosso corpo necessita absorver. Algumas enzimas digestivas são produzidas pelo próprio corpo e outras são encontradas em alguns alimentos.

As melhores fontes de enzimas são os alimentos crus, pois elas são destruídas com o calor do cozimento. O mamão e o abacaxi são ricos em enzimas digestivas (papaína e bromelina). A casca do pepino contém enzimas digestivas que nos ajudam a digerir o próprio pepino. Os vegetais - frutas e verduras - são uma fonte rica em uma variedade de enzimas, assim como a levedura (ou levedo) de cerveja, a gemada (i.e., gema de ovo cru batido com açúcar), o sashimi, o sushi e o quibe cru.

Sais Minerais: existem vários minerais que participam de diversas funções em nosso corpo: desde a formação e manutenção de ossos até o bom funcionamento das células de nossos órgãos, como por exemplo, músculos, coração e cérebro. Alguns dos minerais que nosso corpo extrai dos alimentos, são: cálcio, potássio, magnésio, ferro, selênio, lítio, sódio, zinco, etc. Todos os alimentos citados anteriormente são fontes de diversos sais minerais e - o que é mais importante - os minerais dos alimentos encontram-se em proporções fisiológicas e ligados a proteínas, o que facilita a sua absorção.

Lactobacilos acidófilos e absorção dos micronutrientes: os lactobacilos são bactérias amigas e, quando as hospedamos em nosso intestino, nos ajudam a manter uma boa saúde, porque favorecem a absorção dos micronutrientes pelo nosso corpo. Quando nossa flora intestinal se encontra carente de lactobacilos acidófilos, tendemos a hospedar outras bactérias que são menos amigáveis ou até mesmo hostis. Algumas delas podem causar infecções intestinais, diarréia, cólicas, gases ou prisão de ventre e, ainda, consumir grande parte dos micronutrientes, antes que eles possam ser absorvidos pelas paredes do intestino delgado e colocados na circulação sangüínea. Portanto, devemos cultivar uma flora de lactobacilos, para impedir que essas outras bactérias nos roubem a nossa preciosa nutrição.

Nossa flora intestinal amigável (e não amigável) pode ser destruída pela ação de antibióticos, radioterapia e medicamentos quimioterápicos. Assim, é importante repor essa flora através da ingestão diária de alimentos ricos em lactobacilos.

As melhores fontes de lactobacilos acidófilos são a coalhada caseira, preparada a partir de fermentos lácteos (encontrados em supermercados, para se fazer queijo) ou a ingestão diária (mais de uma vez ao dia) de preparados como o "Chamito" e o "LCI" (também disponíveis nos supermercados). Existem também lactobacilos acidófilos liofilizados, em cápsulas, de origem estrangeira, que seu médico pode eventualmente recomendar.

O iogurte industrializado não é uma fonte confiável de lactobacilos, mas é uma boa fonte de cálcio e proteínas. Mas dê preferência à coalhada caseira!

Receita de coalhada caseira: Ferva três litros de leite tipo B, despeje em uma tigela ou pirex fundo e deixe esfriar, até aproximadamente a temperatura de 45o C. Use um termômetro culinário ou seu próprio dedo, para testar a temperatura. No caso do dedo, ao mergulhá-lo no centro do leite, este deve estar bem quente, sem no entanto causar queimadura. Retire a camada de nata que se formou com uma escumadeira e acrescente então o fermento lácteo, na medida recomendada pelo fabricante e misture bem. Tampe a panela e enrole-a em papel alumínio e uma toalha grossa, para que esfrie muito lentamente. Após umas oito horas (se o tempo estiver frio, aguarde 10 horas), destampe, faça vários cortes em xadrez na coalhada com uma faca e coloque o vasilhame na geladeira para resfriar. Isso fará com que o soro acabe de separar da massa do coalho, o qual fica com uma consistência cremosa firme. Lembre-se: se o fermento lácteo for acrescentado ao leite muito quente, a coalhada ficará ácida; se estiver "morninho", a produção de lactobacilos será prejudicada. A temperatura ideal é entre 50 e 45o C

Para evitar gases e acidez estomacal, não adoce a coalhada com mel ao ingeri-la. Procure acostumar-se ao sabor dela, de preferência, sem açúcar... use-a no preparo de molhos para saladas

Molho de coalhada para saladas: ½ xícara de coalhada, uma pitada de sal, umas gotas de limão e azeite de oliva. Misture bem e use para temperar a salada.

Outra Receita: 1 pepino japonês lavado e picado em cubinhos com a casca (que é rica em enzimas digestivas e evitam a famosa azia do pepino comido sem casca); descasque e pique um pouco de nozes ou de castanhas do Pará, acrescente uma colher (de sopa) de uvas passas com ou sem sementes, e misture com o molho de coalhada para salada descrito acima. Se não tiver gastrite, acrescente um dente pequeno de alho espremido no amassador de alho. Misture tudo e bom apetite!

Curiosidade: O soro da coalhada, tomado puro em jejum, é utilizado há milênios em vários países do Oriente Médio e da Europa Oriental, para dissolver cálculos renais (pedras nos rins).

Fonte: Manual do Paciente com Câncer do NAPACAN - Núcleo de Apoio ao Paciente com Câncer.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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